Brasil de Flato, o blog

domingo, abril 08, 2007

Show do Roger Waters: a sopa de pedra

Acho que todo mundo conhece a história da sopa de pedra, mas nada custa relembrar. Um mendigo bateu na porta da casa de uma senhora, dizendo que estava com fome. Esta senhora, pouco interessada em lhe proporcionar comida, disse que nada havia para oferecer. O faminto disse que precisava apenas de uma panela com água fervendo e uma pedra, para fazer uma sopa de pedra. Curiosa, a senhora acabou concordando. Enquanto esquentava a pedra na panela, o mendigo falou que "a sopa de pedra pura era uma delícia, mas com umas cebolas ficaria melhor ainda". Depois disso, sugeriu um acréscimo de tomates, de páprica, de batatas, de cenoura e de carne. Depois de ficar pronta, a sopa de pedra foi consumida pelo mendigo e pela dona da casa. Ambos aprovaram-na. Explicação da anedota: a pedra serviu apenas para chamar atenção, uma vez que o que deu sabor à sopa foram os demias ingredientes. A pedra foi nada mais que um fetiche.
O show do Roger Waters, da turnê do Dark Side of the Moon, seguiu o princípio da sopa de pedra. Foi um belíssimo espetáculo auditivo e visual, do qual participaram diversos músicos talentosos, incluindo três backin vocals, dois tecladistas, três guitarristas e um baterista. Além dos músicos, houve todo o trabalho do telão, do sistema do som, do porco voador etc... E óbvio, o Roger Waters, com voz, violão e baixo. Se ele nunca tivesse existido, aquele espetáculo não poderia ter ocorrido, uma vez que a grande maioria das músicas tocadas foram compostas pelo próprio. Mas se ele não estivesse no show, se no lugar dele estivesse apenas um baixista muito bom, as diferenças seriam..., ... muito pequenas. A principal é que não haveriam 40 mil pessoas dispostas a pagar pelo menos R$70,00 (meia do ingresso mais barato) para ver um Pink Floyd Cover.
Para mim, independentemente do fato de Roger Waters ter sido apenas um tijolo no muro do show (trocadilho), valeram a pena os R$110,00 gastos na cadeira de pista, pela grandeza do espetáculo.
Cheguei por volta das 17 horas nas proximidades do Morumbi. Só não entrei imediatamente porque o portões abriram apenas vinte minutos depois. O movimento estava muito tranqüilo. Na minha frente, tinha um mané que havia chegado às oito da manhã. Por sorte, um dos pouquíssimos manés. A grande maioria do público chegou mais próximo da hora de início do show, às 21 horas.
Desde a abertura dos portões até às 21 horas, o telão do palco mostrava uma garrafa de uísque, um copo, um rádio dos antigos e um cargueiro da Segunda Guerra Mundial (conforme mostra a foto). A impressão de que eram objetos reais foi desfeita, quando um pouco antes do início do show, apareceu o copo sendo enchido pela garrafa e uma mão sintonizando o rádio. Então, Roger Waters iniciou o show com a poderosa In the Flesh (não há música melhor para iniar show) e depois passou para Mother, outro sucesso do The Wall. Depois, sucessos do Wish You Were Here, como a música com este nome, Have A Cigar e Shine on your crazy diamond. Com o público já aquecido, foi possível passar para o repertório próximo e encerrar a primeira parte com a bela Leaving Beirut, e deixar o porco voar. A segunda parte foi dedicada ao Dark Side of the Moon inteiro. Sabendo das limitações impostas pela idade, Roger Waters deixou nesta parte o vocal para outros integrantes da banda. Humilde e sábia decisão. Um dos tecladistas cantava pra caralho. E no bis, a óbvia Another Brick in the Wall part II e Comfortably Numb.
Shows como estes são feitos exclusivamente para serem vistos e ouvidos, não necessitam interação com o público. Tanto que não há pista, e sim cadeiras para o público permanecer sentados. E não há discursos, apenas música. Até aí, ótimo. Mas bem que seria melhor se todo mundo pelo menos soube cantar Wish You Were Here inteira.

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